Daniela Miranda - Professora de Introdução ao Estudo do Direito e Direito Civil
quarta-feira, 21 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Emergência Feminista
Dois casos de morte de mulheres estão na mídia no país: o caso da advogada paulista e da ex-namorada do jogador de futebol.
Ambos tornaram notório o machismo que se vive no Brasil e na América Latina. Milhares de mulheres sofrem todos os dias agressões físicas de seus namorados, maridos, companheiros,...
No entanto a mídia tem discutido a questão dos jogadores de futebol e o fato de eles serem suscetíveis às mulheres que almejam lhe dar um "golpe". Dá-se espaço na mídia para a “culta” opinião dos jogadores de futebol.
Isso demonstra a gravidade do problema do machismo no país. Ao invés de discutirmos as raízes culturais e as questões do feminismo, estamos justificando comportamentos machistas e sexistas.
O machismo é a barbárie! Simone de Beauvoir, no livro O segundo sexo, denúncia as raízes culturais e sociais da desigualdade sexual, no qual as teorias feministas passam pela necessidade de compreensão do universo no qual a mulher está inserida a partir da construção social da condição.
Da década de 60 pra cá, permanece a hierarquia mascarada pela diferenciação de papéis. Essa diferenciação é cultural, social e precisa ser modificada.
A discussão pública sobre as questões que envolvem machismo e feminismo é emergente.
O comportamento masculino tem se estabelecido na visão midiática, não havendo discussões nem incentivo às ações sociais e cívicas do feminismo.
domingo, 27 de junho de 2010
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
A Emergência de ser Sujeito
Paradoxalmente, a modernidade se caracteriza pela liberdade humana, uma vez que a passagem para a modernidade não significa a passagem de um mundo de múltiplas possibilidades para o mundo da razão, ao contrário, ela triunfa pela busca da não conformidade de um mundo medieval-feudal para um mundo múltiplo de possibilidades, no qual os Direitos do Homem traz consigo a liberdade e a autonomia dos sujeitos à própria vida.
Assim, continuamos a chamar de modernidade o que é a destruição de uma parte essencial dela mesma. Não existe modernidade a não ser pela interação crescente entre sujeito e razão, entre a consciência e a ciência. A idéia de que era preciso renunciar o sujeito para que a ciência triunfasse, que era preciso sufocar o sentimento e a imaginação para libertar a razão, e que era necessário esmagar as categorias sociais identificadas com as paixões, mulheres, crianças, trabalhadores e colonizados, sob o jugo da elite capitalista identificada com a racionalidade, foi uma imposição!
A imagem da modernidade ficou por muito tempo ligada à idéia de renúncia aos prazeres e à criatividade em nome de uma sociedade centrada na produção do trabalho, mantendo-se um forte elo entre modernidade e racionalização. Essa relação é perceptível na obra de Weber sobre as relações entre o protestantismo e o capitalismo.
No entanto, o sujeito ultrapassa a concepção de indivíduo racional, não é possível despersonalizar o sujeito à própria razão.
O mundo moderno não é um mundo de complexidade reduzida ao indivíduo, mas é cada vez mais ocupado pela referência a um Sujeito que está liberado, que coloca como princípio do bem o controle que o indivíduo exerce sobre suas ações e sua situação, o que lhe permite conceber e sentir seus comportamentos como componentes da sua história pessoal de vida e de conceber a si mesmo como ator. O sujeito é a vontade de um indivíduo agir e de ser reconhecido como ator.
Em princípio somos todos indivíduos e só nos tornamos sujeitos a partir do reconhecimento social.
Somos freqüentemente atingidos por esta doença da civilização. Por um lado, vivemos um individualismo narcisista; por outro somos tomados pela nostalgia do ser sujeito.
Enquanto o indivíduo se fragmenta nas múltiplas realidades, revela-se fragilizado e submisso à cultura das indústrias de comunicação de massa. O sujeito passa pela idéia de resistência ao mundo impessoal do consumo ou ao da violência e guerra. O sujeito nunca se identifica consigo mesmo, mas se situa na ordem dos direitos e dos deveres, na ordem da moralidade,...
Somos continuamente desintegrados, fragmentados e seduzidos, passando de uma situação a outra, de uns estímulos a outros. Perdemo-nos na multidão de nossas situações, de nossas reações, de nossas emoções e de nossos pensamentos. O sujeito é um chamamento a si mesmo, uma vontade de retorno a si mesmo, em sentido contrário à vida ordinária.
O sujeito não se reduz a ele mesmo na sua própria experiência imediata. A defesa dos cidadãos frente aos arbítrios do Estado é uma defesa do sujeito, daqueles que não suportam ser considerados como recursos humanos passíveis de ser utilizados eficazmente a serviço do Estado ou da empresa.
Enquanto o indivíduo se situa na ordem da experiência, do desejo e da percepção, o sujeito se constitui no seu duplo que é a ordem do direito a ter direitos, de fazer com que todos tenham direitos.
O sujeito, ao contrário dos indivíduos, só se configura pelas ações coletivas, se reforça pelas instituições e pela luta por grandes causas.
O sujeito é sempre grandioso!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O Apartheid Social e cultural. A Música Popular Brasileira e a pulseira Roxa.
Eu nunca havia ido a essa festa, mas tinha muitas expectativas. Imaginava ver as pessoas próximas de seus ídolos musicais, podendo ouvi-los tocar em uma das belas salas do Laje de Pedra com vista para o vale, essas coisas...
De fato isso existia, mas não era para todas as pessoas que ali estavam. No Festival de Música havia um apartheid social e cultural.
O primeiro andar tinha acesso aos ídolos, às bebidas, comidas e claro, boa música. Já a patuléia, que tinha apenas um convite comum tinha que se conformar em ouvir apenas quem estava disposto a dar um show. Aliás, o show para a patuléia era previamente combinado e tinha hora para começar e terminar.
Já no andar de cima, a noite rolava, sem horários, a música e o glamour não tinham hora para acabar. Os músicos se juntavam: Sandra de Sá e Jorge Ben Jor cantavam juntos, faziam sonzeira, comidinhas e bebidinhas,...
Todas as pessoas queriam estar no andar de cima, mas o andar de cima era apenas para alguns, para os que tinham a pulseira roxa.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
A sociedade civil e as possibilidades da democracia
Assim, podemos considerar a sociedade civil como requisito prévio para a restauração da democracia.
Durante a ditadura militar no Brasil e na América Latina, os escritos políticos que circulavam entre as pessoas ligadas à resistência ao regime, assim como nos bares, encontros secretos, igrejas ou nas guerrilhas civis, mantinham vivo o espírito de uma sociedade civil livre e democrática.
Da mesma forma se deu a resistência nos países dominados pela União Soviética e o Leste Europeu, em manifestações resistentes ao comunismo totalitário, os dissidentes mobilizavam-se para fazer valer a voz da liberdade cívica.
A sociedade civil que emergiu após as ditaduras militares na América latina e na Europa do leste parecem não ter tido as virtudes cívicas que se julgava ser inerente à sua própria existência, não se demonstrando suficiente a combater os males da sociedade democrática.
Essa parece ser a grande e dolorosa lição que estamos enfrentando!